Se a história do barqueiro parece distante da realidade brasileira, a forma como ela foi contada reflete as novas possibilidades de utilização da internet e do maior contato com falantes de outras línguas. Guy Ganter é um dos mais de 25 milhões de usuários, oriundos de 200 países, que estão cadastrados no site Busuu.com - curso online que possibilita o aprendizado em 12 idiomas diferentes - e concedeu uma rápida entrevista ao A TARDE On Line através do serviço de bate-papo. "Gosto muito dos conteúdos do curso e da possibilidade de conversar com pessoas de outros países. É muito interessante", ressalta o barqueiro.
Complementação dos estudos - A universitária Ingra Fernandes, de 22 anos, já conheceu os quatro cantos do planeta. Peru, Estados Unidos (Miami, Orlando e Nova York), Espanha, França, Inglaterra, Irlanda, Alemanha e Turquia fizeram parte do seu diário de viagem. Como estudante de Relações Internacionais, Ingra enfatiza a necessidade de falar pelos menos três idiomas e conhecer culturas diferentes. Ela é fluente em inglês e espanhol, está cursando francês e pretende iniciar o alemão já no ano que vem.
Apesar de ter feito cursos presenciais, a estudante sempre utilizou os sites de idiomas para complementar o aprendizado em sala de aula. "Achava que apenas o livro não dava conta, principalmente em relação à pronúncia. Comecei a usar o Livemocha em 2008, quando estudava inglês. É muito bom porque posso conversar com pessoas de diferentes lugares, pontos de vista e culturas. E elas me corrigem quando me expresso de forma errada", explica.
Além de praticar com os nativos da língua, a estudante também criou relações de amizade que se estenderam às redes sociais. "Eu acessava mais durante os finais de semana, para revisar o assunto estudado em sala de aula. Mas as pessoas marcavam outros dias e horários para bater papo".
Para o professor do curso de extensão em francês da UFBA, Caius Marcellus Araújo, as informações disponibilizadas na internet são mais simplificadas do que nas gramáticas, além de possibilitarem atualizações mais rápidas e dinâmicas. Ele utiliza os cursos online para encontrar materiais pedagógicos, exemplos para as aulas e textos interessantes.
"Os sites permitem ao aluno aprofundar as regras do idioma e ampliar o tempo de sala de aula, que é curto, fixando melhor o assunto. Tive uma aluna iniciante que avançou muito rápido porque usava com frequência. Nos encontramos um tempo depois e ela tinha até arranjado um namorado francês", ressalta o professor.
Perfil autodidata - Além de ampliarem os conteúdos ministrados em sala de aula, os sites de idiomas também possibilitam o aprendizado das pessoas que nunca estiveram em cursos presenciais. Para alcançar o nível de fluência, entretanto, é necessária muita dedicação e regularidade no acesso às aulas.
Uma das técnicas sugeridas por Caius para apreender os conteúdos rapidamente é combinar os métodos de ensino de vários cursos. "O aluno pode unir o vocabulário de um com os exercícios do outro, por exemplo. É possível aprender um idioma só com os cursos online, basta ter disciplina. Se a pessoa acessar todos os dias, de 30 a 40 minutos, consegue avançar bem", revela.
Este é o caso do paulista Marcos Cusatis, que teve o primeiro contato com o espanhol em um dos sites. Hoje, seis meses depois, já concluiu o curso e se sente seguro para conversar com os falantes da língua. "O curso é bom, mas depende muito do nosso empenho. Estou aprendendo inglês e, assim como no espanhol, minha frequência de acesso é diária", explica.
Os cursos online são, em sua maioria, gratuitos, e o acesso pode ser feito após um cadastro com e-mail e senha. Entretanto, alguns oferecem pacotes pagos, com lições que incluem mais exercícios e serviços de voz. "Acho que a parte paga é ideal para quem aprende somente pela internet, mas é possível se tornar fluente com os recursos gratuitos", garante Ingra Fernandes.
Serviços extras - Além dos exercícios multimídia, o curso Open English oferece ainda aulas ao vivo, possibilitando a interação maior entre alunos e professores. Já o Busuu segue a tendência de extrapolar os limites do computador e disponibiliza as aulas como aplicativos móveis para Android e iPhone. Ingra ainda não utiliza este serviço, mas se anima com a novidade. "Imagine a gente no engarrafamento ou naquela sinaleira demorada, usando o tempo para aprender uma liçãozinha? Seria ótimo!", diverte-se a estudante.(atarde)
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